31 julho 2016

Resenha: Eles não usam Black-Tie

Esse livro está lista de obras literárias da UFPR, já fizemos um post sobre todas as obras e breve resumos!
Eles não usam Black-Tie, de  GianFrancesco Guarnieri, é um livro em forma de peça teatral, sua temática principal é a luta de classes,a greve, os problemas  sociais. A peça foi publicada em 1956 e apresenta características românticas, realistas e naturalistas.



O enredo principal gira em torno de Otávio e Tião, pai e filho com ideologias totalmente opostas: Otávio é adepto da greve, quer lutar pela classe operária, enquanto que Tião, tendo passado grande parte de sua vida longe do morro onde moram os pais, possui aspirações "capitalistas", quer crescer na vida e dar a Maria, sua namorada, uma vida mais digna.
O título da obra vem de uma parte da história onde os personagens cantarolam a letra do estranho sambista Juvêncio, "[...]Nosso abraço mais apertado,Nós não usa as bleque-tais", que pode ser interpretado como sendo uma crítica do sambista aos engravatados da cidade, uma letra dizendo que o jeito dos humildes é bem melhor!

O livro apresenta dois nichos de personagens: Dalva, Chiquinho, Terezinha e Jesuíno são os que garantem aquele humor gostoso.Chiquinho e Terezinha com seu romance quase infantil, saídas para cinema e histórias de Amélia, a cesta de compras (haha). Dalva e Jesuíno, um casal simpático e ligeiro, chegam chegando na festa de noivado de Maria e Tião.

O outro nicho é marcado pela análise psicológica e pessimista dos personagens Tião, Maria, Otávio e Romana. Tião possui muito mais gosto pela cidade, onde viveu muito tempo com seus padrinhos, do que pelo morro, Maria possui uma mãe doente e não tem grandes planos para a vida, só ficar ali com sua gente, Romana é a mãe da família, sempre com um pé atrás para qualquer coisa, Otávio se importa muito com a ideia de greve e já foi preso diversas vezes por isso. João, irmão de Maria e Bráulio, operário amigo de Otávio são personagens recorrentes.


Na primeira parte da história Maria e Tião estão conversando no barraco de Romana, enquanto Chiquinho dorme. Os apaixonados se declaram e decidem marcar um casamento o mais breve possível. No próximo Quadro é a festa de noivado, onde todos dançam, bebem e se divertem. Fica claro a falta de confiança de ambos os pais em relação a Chiquinho, que quando designado a comprar Champanhe acaba perdendo o dinheiro, mas seus pais não acreditam, acham que o menino gastou, aí ele é chamado de safado, desgraçado, um retrato bastante realista...

Tião tem tanto medo da "pobreza", que acaba inventando uma história de um convite por parte de um cineasta para trabalhar no cinema, todos parecem acreditar, exceto Romana, sempre receosa. Mas para frente Tião revela a Maria que era uma mentira. 


Otávio estava com a ideia de greve bem fixa, a fábrica toda devia parar e exigir mais que aquele salário mínimo baixíssimo, e ele não tinha medo da polícia ou cadeia. A ideia de greve e possível perda de emprego aterrorizava Tião, ainda mais com seu filho na barriga de Maria, ele não queria que a mulher tivesse que passar a vida esfregando roupa em um tanque, como todas as do morro.
No dia combinado da manifestação, Tião voltou mais cedo, foi um dos dezoito operários que furaram a greve. Seu pai chegou a ser preso e Romana armou a gritaria para soltarem o homem preso injustamente.
Desfecho da trama: Otávio voltou para casa, com sentimento de missão cumprida, mas Tião já não era bem-vindo ali, para seu pai, furar a greve era inaceitável, e a única coisa a ser feita era expulsar o filho de casa. O jovem tentou conversar com Maria, mas até ela achou aquilo um ato de covardia e desnecessário, terminou a conversa chorando e dizendo que ela e o filho (Otavinho) ficariam no morro, onde ele cresceria sem medo, e que quando Tião acreditasse neles, voltasse.
Romana nada fez, Otávio concluiu que quando Tião enxergasse melhor a vida, voltaria.

E pra acabar, mais um desfecho infeliz: Lembra do Juvêncio e seu sambinha "Eles não usam Black-Tie"? Passou a tocar na rádio, mas com o nome de outro autor. O pobre Juvêncio ficou arrasado.

Notas: Apesar de ter sido publicado em 1956, o livro apresenta uma temática que se enquadra perfeitamente em nossas atuais cidades. A exploração do operário nas fábricas acontece há muito tempo, e as greves são o único instrumento de defesa dos trabalhadores, que muitas vezes arriscam tudo nesses movimentos. A realidade do morro da trama se assemelha muito com as favelas, lugares afastados das grandes cidades, onde os moradores são simples e humildes, sem grandes planos ou sonhos. 

E aí!Gostou dessa história? 




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